
A rupia indiana (INR) amplia sua valorização frente ao dólar americano (USD) nesta sexta-feira. No momento da redação, o par USD/INR registra uma nova mínima em quase seis meses, perto de 94,08.

A moeda indiana tem apresentado desempenho superior, favorecida pelos preços mais baixos do petróleo e pela entrada constante de recursos estrangeiros no mercado acionário do país.
No momento da redação, o contrato de petróleo da MCX com vencimento em 19 de novembro sobe 1,36%, para perto de 8.670 rúpias. Os preços do petróleo se recuperaram após atingir uma nova mínima em quase dois meses, de 8.191 rúpias. Ainda assim, acumulam queda de quase 13,5% em relação à máxima de vários meses, de 9.972 rúpias.
Moedas de economias como a Índia, que dependem fortemente das importações de petróleo para atender às suas necessidades energéticas, tendem a apresentar desempenho superior em um ambiente de preços baixos do petróleo.
A entrada de capital estrangeiro no mercado acionário indiano permaneceu robusta nas últimas semanas, aliviando os temores de redução das reservas cambiais.
Até agora em novembro, os investidores institucionais estrangeiros (FIIs, na sigla em inglês) aplicaram 32.210,20 crore de rúpias.
A forte aceleração das compras pelos FIIs é impulsionada pela rotação setorial global após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (EUA), que gerou temores de desaceleração dos gastos com inteligência artificial (IA). Outros fatores importantes incluem a correção significativa dos preços do petróleo e os resultados sólidos das empresas indianas no segundo trimestre.
No entanto, especialistas do mercado alertam que a continuidade do ritmo de compras pelos FIIs depende, em grande parte, de fatores externos à Índia. “Boa parte do capital que saiu buscou oportunidades em IA e semicondutores, em um movimento liderado pelos EUA; parte só retorna se esse movimento perder força. Para que os fluxos se tornem duradouros, a rupia precisa se estabilizar, o petróleo precisa continuar em patamares baixos, deve haver clareza sobre um acordo comercial entre os EUA e a Índia e — acima de tudo — os resultados das empresas indianas precisam levar a revisões para cima das estimativas de lucro. Por enquanto, trata-se de uma estabilização bem-vinda, ainda não de uma tendência”, afirmou Akash Garg, da Choice Wealth, segundo o The New Indian Express.
Os investidores aguardam com atenção os dados de emprego não agrícola dos EUA (NFP) referentes a outubro, que serão divulgados às 12h30 GMT. Espera-se que os dados de emprego tenham um impacto significativo sobre as perspectivas do dólar americano.
Antes da divulgação do NFP dos EUA, o Índice do Dólar Americano (DXY), que mede o valor da moeda frente a seis importantes divisas, opera em alta de 0,2%, perto de 101,77.
Segundo a TD Securities, o relatório de emprego dos EUA de outubro deve mostrar uma criação de vagas apenas modesta, com os economistas prevendo que a geração de empregos não agrícolas “permaneça fraca, em 40 mil, após desacelerar para 29 mil em setembro”. Eles observam que, “apesar do resultado fraco e abaixo do consenso, nossa projeção estaria dentro da faixa de criação de vagas necessária para manter o equilíbrio do mercado de trabalho e resultaria em um aumento da média móvel de três meses”, sugerindo que a dinâmica subjacente não é tão fraca quanto indica o número principal. A TD também destaca que “os riscos para nossa projeção de criação de vagas são de alta”, alertando que “os fatores sazonais podem voltar a se reverter mais do que o esperado e levar a um resultado mais forte”.

O USD/INR recua para perto de 94,08 nesta sexta-feira, ampliando sua queda e permanecendo abaixo da média móvel exponencial (EMA) de 20 dias, em 94,99, que limita o potencial de alta e reforça o viés baixista no curto prazo. A leitura mais recente do Índice de Força Relativa (RSI), de 29,29, está em território de sobrevenda, sugerindo que, embora a pressão vendedora predomine, o movimento de queda pode estar excessivamente estendido no curto prazo.
Na direção de alta, a resistência imediata está na EMA de 20 dias, em torno de 94,99, e seria necessária uma recuperação sustentada acima dessa barreira para aliviar o atual viés baixista. Na direção de baixa, o par pode ampliar o recuo em direção a 94,00.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A rupia indiana (INR) é uma das moedas mais sensíveis a fatores externos. O preço do petróleo (o país depende fortemente de petróleo importado), o valor do dólar americano – a maior parte do comércio é realizada em USD – e o nível de investimento estrangeiro são fatores relevantes. A intervenção direta do Banco da Reserva da Índia (RBI) nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável, assim como o nível das taxas de juros definido pelo RBI, também exerce grande influência sobre a rupia.
O Banco da Reserva da Índia (RBI) intervém ativamente nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável e facilitar o comércio. Além disso, o RBI busca manter a inflação em sua meta de 4% por meio de ajustes nas taxas de juros. Juros mais altos costumam fortalecer a rupia. Isso se deve ao papel do “carry trade”, estratégia na qual os investidores tomam empréstimos em países com juros mais baixos para aplicar os recursos em países que oferecem taxas relativamente mais altas e lucrar com a diferença.
Os fatores macroeconômicos que influenciam o valor da rupia incluem a inflação, as taxas de juros, a taxa de crescimento econômico (PIB), a balança comercial e os fluxos de investimento estrangeiro. Um ritmo de crescimento mais elevado pode atrair mais investimentos do exterior, aumentando a demanda pela rupia. Um déficit menor na balança comercial tende, com o tempo, a fortalecer a moeda. Taxas de juros mais altas, especialmente as taxas reais (juros descontados da inflação), também são positivas para a rupia. Um ambiente de maior apetite por risco pode levar a maiores entradas de investimento estrangeiro direto e indireto (FDI e FII, na sigla em inglês), que também beneficiam a rupia.
Uma inflação mais alta, sobretudo quando supera a de países comparáveis à Índia, geralmente é negativa para a moeda, pois reflete a perda de valor decorrente do excesso de oferta monetária. A inflação também aumenta o custo das exportações, levando à venda de mais rúpias para pagar por importações, o que prejudica a moeda. Ao mesmo tempo, uma inflação mais alta costuma levar o Banco da Reserva da Índia (RBI) a elevar as taxas de juros, o que pode ser positivo para a rupia devido ao aumento da demanda de investidores internacionais. Uma inflação mais baixa produz o efeito contrário.