
O par EUR/USD opera em território positivo, perto de 1,1245, no início da sessão europeia de quinta-feira. Ainda assim, o potencial de alta pode ser limitado pelas preocupações fiscais na França. Fabio Panetta, membro do Banco Central Europeu (BCE), tem um discurso previsto para mais tarde nesta quinta-feira.

Os custos de financiamento da França para o prazo de 10 anos superaram 5% na quarta-feira, pela primeira vez em 24 anos. Os protestos do fim de semana em todo o país, motivados em parte por cortes nos serviços públicos, evidenciaram como será politicamente difícil controlar os déficits orçamentários.
“O euro não consegue cair — e não consegue subir”, disse Brent Donnelly, presidente da Spectra Markets. “Estamos em um impasse no qual o peso das notícias negativas praticamente compensa, de forma perfeita, o posicionamento do mercado”, acrescentou Donnelly.
O BCE deve manter sua taxa básica de juros inalterada em 2,5% na próxima semana, embora uma alta até o fim do ano já esteja quase totalmente precificada, segundo a Reuters.
Do outro lado do Atlântico, os investidores veem apenas uma pequena chance de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) na próxima semana, com o próximo aumento esperado para dezembro, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Os analistas do Societe Generale destacam que, para o EUR/USD, é “curioso que as máximas do ciclo nos preços do gás natural e a tensão no mercado de títulos não tenham desencadeado uma nova onda de queda, como teria ocorrido antes de outubro”. Eles observam que “as correlações deixaram de funcionar nas últimas duas semanas, aproximadamente”, com o par já não reagindo da maneira habitual às oscilações dos preços da energia e dos mercados de títulos. Segundo o banco, isso “sugeriria que a maior parte das notícias negativas já está precificada ou que os investidores não estão dispostos a abrir novas posições direcionais, preferindo operar dentro das faixas de negociação”.
O presidente do Fed, Warsh, transmitiu uma mensagem moderadamente construtiva, mas menos enfática, com a pontuação do FXS Speechtracker em 5,6, ante uma média histórica de 6,1, sinalizando um tom ligeiramente mais brando em relação ao padrão estabelecido. Ao admitir estar “excessivamente marcado pela crise financeira global”, Warsh evidencia um viés de aversão ao risco, embora destaque um avanço estrutural do crescimento e dos investimentos e se recuse a assumir compromissos antecipados sobre as decisões de outubro e dezembro, preservando ampla flexibilidade para a política monetária. A ênfase no impacto da inteligência artificial (IA) sobre a demanda e na necessidade de “consolidar” os dados de produção, emprego e inflação aponta para uma postura cautelosa e dependente dos dados, que modera as expectativas imediatas de uma orientação mais restritiva favorável ao dólar.
O FXS Fed Sentiment Index permaneceu inalterado, com variação de 0,00 ponto, no nível ainda elevado de 127,51, confirmando que o tom geral da política monetária continua firmemente restritivo, apesar da pontuação ligeiramente mais branda do FXS Speechtracker. A combinação de um nível elevado do FXS Fed Sentiment Index com a relutância de Warsh em antecipar as decisões das reuniões sugere que os mercados devem continuar a precificar um viés restritivo, mas sem uma nova intensificação desse tom em favor do dólar no curto prazo.
No gráfico diário, o EUR/USD permanece abaixo da média móvel de 100 dias e também ligeiramente abaixo da média móvel simples de 20 dias das Bandas de Bollinger, mantendo o viés de baixa no curto prazo, apesar de uma leve estabilização. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em torno de 42, continua abaixo da linha neutra de 50, o que sugere que o impulso de baixa está perdendo força, e não se revertendo, deixando o par limitado pela resistência das médias móveis acima da cotação atual.
Na direção de alta, a resistência imediata está na máxima de 6 de outubro, em 1,1276, seguida pelo limite superior das Bandas de Bollinger, em 1,1372. Uma barreira mais significativa está na média móvel de 100 dias, em torno de 1,1455, que precisaria ser recuperada para aliviar a pressão de baixa mais ampla.
Na direção de baixa, o suporte inicial está próximo da mínima de 19 de outubro, em 1,1185, seguido pelo limite inferior das Bandas de Bollinger, em 1,1120. O principal nível de suporte a observar é a marca psicológica de 1,1000.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com a ajuda de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O euro é a moeda dos 20 países da União Europeia que pertencem à zona do euro. É a segunda moeda mais negociada do mundo, atrás do dólar americano. Em 2022, respondeu por 31% de todas as transações cambiais, com um volume médio diário de mais de US$ 2,2 trilhões. EUR/USD é o par de moedas mais negociado do mundo, representando cerca de 30% de todas as transações, seguido por EUR/JPY (4%), EUR/GBP (3%) e EUR/AUD (2%).
O Banco Central Europeu (BCE), sediado em Frankfurt, na Alemanha, é o banco central da zona do euro. O BCE define as taxas de juros e conduz a política monetária. O principal mandato do BCE é manter a estabilidade de preços, o que significa controlar a inflação ou estimular o crescimento. Seu principal instrumento é o aumento ou a redução das taxas de juros. Taxas de juros relativamente altas – ou a expectativa de taxas mais altas – costumam beneficiar o euro, e vice-versa. O Conselho do BCE toma decisões de política monetária em reuniões realizadas oito vezes por ano. As decisões são tomadas pelos dirigentes dos bancos centrais nacionais da zona do euro e por seis membros permanentes, incluindo a presidente do BCE, Christine Lagarde.
Os dados de inflação da zona do euro, medidos pelo Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IHPC), são um importante indicador econômico para o euro. Se a inflação subir mais do que o esperado, especialmente se ficar acima da meta de 2% do BCE, isso obriga o banco central a elevar as taxas de juros para voltar a controlá-la. Taxas de juros relativamente altas em comparação com as de outras economias costumam beneficiar o euro, pois tornam a região mais atraente para investidores globais aplicarem seus recursos.
A divulgação de dados permite avaliar a saúde da economia e pode afetar o euro. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção da moeda única. Uma economia forte é positiva para o euro. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o BCE a elevar as taxas de juros, o que fortalecerá diretamente a moeda. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, o euro tende a cair. Os dados econômicos das quatro maiores economias da zona do euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) são especialmente relevantes, pois elas representam 75% da economia da região.
Outro dado importante para o euro é a balança comercial. Esse indicador mede a diferença entre o que um país recebe por suas exportações e o que gasta com importações em determinado período. Se um país exporta produtos muito procurados, sua moeda se valoriza simplesmente pela demanda adicional gerada por compradores estrangeiros que desejam adquirir esses bens. Portanto, um saldo positivo da balança comercial fortalece a moeda, enquanto um saldo negativo tem o efeito contrário.