
O par USD/CAD perde terreno e se aproxima de 1,3975 nas primeiras horas de negociação na Ásia nesta quinta-feira. O dólar canadense (CAD) se fortalece frente ao dólar americano (USD) após o Banco do Canadá (BoC) elevar os juros. Os operadores acompanharão a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao terceiro trimestre e os dados de inflação do índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE) de setembro, que serão divulgados na quinta-feira.

O BoC decidiu elevar sua taxa básica de juros overnight em 25 pontos-base (pb), para 2,50%, na reunião de política monetária de outubro, realizada na quarta-feira. O presidente Tiff Macklem afirmou que novas altas dos juros podem ser necessárias, embora os responsáveis pela política monetária devam agir com cautela diante da incerteza em torno das perspectivas econômicas.
Segundo o comunicado do BoC, “Diante da resiliência contínua da economia global, o Banco revisou ligeiramente para cima a projeção de crescimento do PIB global em 2026, para 3,1%, enquanto o crescimento em 2027 e 2028 permanece inalterado em relação à projeção de julho, em 3,2%.”
Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira em meio à renovação das preocupações com interrupções no fornecimento de energia no Oriente Médio. Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, atacaram o aeroporto de Áden na quarta-feira, depois de o grupo alertar as pessoas para que deixassem o local, segundo a Reuters. Na terça-feira, os houthis afirmaram ter lançado um míssil balístico em direção à refinaria de petróleo de Ras Tanura, no leste da Arábia Saudita, a maior do reino.
Vale lembrar que o Canadá é um importante exportador de petróleo e que preços elevados da commodity geralmente têm um impacto positivo sobre o dólar canadense.
Como amplamente esperado, o Federal Reserve (Fed) manteve sua taxa básica de juros, a taxa dos fed funds, na faixa de 3,75% a 4,00% na quarta-feira.
O banco central dos EUA reconheceu que a inflação “permanece elevada” e melhorou sua avaliação da economia, sinalizando que novas altas dos juros podem ocorrer dependendo da evolução da inflação.
Analistas do BBH destacam que a inflação subjacente está próxima das projeções do Banco do Canadá, observando que “a média dos núcleos do IPC por médias aparadas e por mediana foi de 1,85% na comparação anual em setembro, situando-se pouco abaixo da projeção de 2,0% do BoC para o terceiro trimestre”. Eles acrescentam que “o aumento das expectativas de inflação das empresas para os horizontes de um e dois anos pode elevar as perspectivas para o núcleo do IPC, reforçando os argumentos a favor de novas altas dos juros”. O BBH também espera que o BoC revise suas projeções para cima, argumentando que “o BoC provavelmente elevará suas previsões de inflação e de PIB real, o que pode dar sustentação ao CAD”, já que “a inflação medida pelo IPC cheio de setembro ficou em 3,1% na comparação anual, superando a projeção de 2,5% do banco para o terceiro trimestre, enquanto o PIB real do segundo trimestre cresceu 3,3% em termos anualizados, ante a projeção de 2,5% do banco”.
O tom de Warsh na coletiva de imprensa é claramente favorável ao aperto monetário, com a pontuação de 7/10 no FXS Speechtracker em linha com o padrão estabelecido, ressaltando a continuidade, e não uma mudança de regime. Ao enfatizar que “garantir a estabilidade de preços não é uma questão de uma data fixa no calendário” e destacar um “novo remédio monetário”, além da retirada de estímulos em setembro, a mensagem é de que a política monetária continuará orientada pelos dados e firmemente focada em conter a inflação, mesmo com as expectativas inflacionárias sendo descritas como “seguindo na direção certa”. As reiteradas garantias de que “sem condições nem ressalvas, entregaremos estabilidade de preços” e a meta rígida de 2% para a inflação PCE, juntamente com o reconhecimento de que os juros estão afetando o setor de tecnologia e os investimentos em bens de capital (CAPEX), reforçam a narrativa de continuidade de uma política restritiva, que dá suporte ao dólar e mantém os ativos de risco sensíveis a novos sinais de aperto monetário.
O Índice de Sentimento do Fed da FXS saltou +14,39 pontos, para 141,89, um movimento claro de aprofundamento no território favorável ao aperto monetário, consistente com o tom estável de 7/10 captado pelo FXS Speechtracker. Com o índice muito acima da linha neutra de 100, os mercados provavelmente interpretarão a ênfase de Warsh na eficácia do “remédio monetário” e o compromisso inabalável com a meta de 2% para a inflação PCE como uma confirmação de uma trajetória de juros elevados por mais tempo, um cenário que normalmente sustenta o dólar, mas cria obstáculos para moedas de beta elevado e ativos sensíveis aos juros.
No gráfico diário, o USD/CAD mantém um viés de baixa no curto prazo, com a cotação à vista abaixo da média móvel simples (MMS) de 100 dias e da banda central de Bollinger. O par recua a partir da metade superior do envelope recente das Bandas de Bollinger, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos, em 38,5, aponta mais para um enfraquecimento do impulso do que para condições claras de sobrevenda, sugerindo que os vendedores ainda têm a vantagem, mas que a força do movimento de baixa está diminuindo.
Na parte superior, a resistência inicial aparece na MMS de 100 dias, perto de 1,4045, seguida pela banda central de Bollinger, em 1,4140, e depois pela banda superior, na região de 1,4350, cujo rompimento seria necessário para aliviar a atual pressão de baixa. Na parte inferior, o primeiro suporte relevante está na banda inferior de Bollinger, em torno de 1,3930, e um movimento claro abaixo desse piso abriria caminho para uma extensão do movimento corretivo nas próximas sessões.
(A análise técnica desta matéria foi redigida com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
Os principais fatores que influenciam o dólar canadense (CAD) são o nível das taxas de juros definido pelo Banco do Canadá (BoC), o preço do petróleo, principal produto de exportação do país, a saúde da economia canadense, a inflação e a balança comercial, que corresponde à diferença entre o valor das exportações e o das importações do Canadá. Outros fatores incluem o sentimento do mercado – se os investidores estão assumindo posições em ativos de maior risco (apetite por risco) ou buscando ativos de refúgio (aversão ao risco) –, sendo que o apetite por risco favorece o CAD. Como os Estados Unidos são o maior parceiro comercial do Canadá, a saúde da economia americana também é um fator importante para o dólar canadense.
O Banco do Canadá (BoC) exerce uma influência significativa sobre o dólar canadense ao definir o nível dos juros dos empréstimos entre bancos. Isso influencia as taxas de juros para todos os agentes da economia. O principal objetivo do BoC é manter a inflação entre 1% e 3%, ajustando as taxas de juros para cima ou para baixo. Taxas de juros relativamente mais altas tendem a favorecer o CAD. O Banco do Canadá também pode recorrer à flexibilização quantitativa e ao aperto quantitativo para influenciar as condições de crédito, sendo que a primeira medida tende a prejudicar o CAD, enquanto a segunda tende a favorecê-lo.
O preço do petróleo é um fator fundamental para o valor do dólar canadense. O petróleo é o principal produto de exportação do Canadá, por isso seu preço tende a ter um impacto imediato no valor do CAD. Em geral, quando o preço do petróleo sobe, o CAD também se valoriza, pois a demanda agregada pela moeda aumenta. O contrário ocorre quando o preço do petróleo cai. Preços mais altos do petróleo também tendem a aumentar a probabilidade de um superávit comercial, o que igualmente dá suporte ao CAD.
Embora a inflação tenha sido tradicionalmente considerada um fator negativo para uma moeda, por reduzir seu poder de compra, nos tempos modernos o contrário tem ocorrido com a flexibilização dos controles sobre os fluxos internacionais de capital. Uma inflação mais alta tende a levar os bancos centrais a elevar os juros, o que atrai mais entradas de capital de investidores globais em busca de um destino rentável para seus recursos. Isso aumenta a demanda pela moeda local, que, no caso do Canadá, é o dólar canadense.
As divulgações de dados macroeconômicos permitem avaliar a saúde da economia e podem afetar o dólar canadense. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção do CAD. Uma economia forte é positiva para o dólar canadense. Além de atrair mais investimento estrangeiro, ela pode incentivar o Banco do Canadá a elevar os juros, levando a uma valorização da moeda. Se os dados econômicos forem fracos, porém, o CAD tende a cair.