
O ouro (XAU/USD) perde força nesta terça-feira, enquanto os preços do petróleo voltam a subir após o Wall Street Journal (WSJ) noticiar um ataque dos EUA à ilha iraniana de Qeshm, reduzindo o otimismo com os esforços diplomáticos que haviam provocado uma queda acentuada dos preços da energia no dia anterior. No momento da redação, o XAU/USD é negociado em torno de US$ 3.900, com queda de 1% no dia.

Os preços do petróleo seguem voláteis, com os operadores reagindo às mudanças no noticiário. O West Texas Intermediate (WTI) é negociado em torno de US$ 97, com alta de 2,23%, após recuar quase 7% na segunda-feira.
A relação entre os preços do petróleo e as expectativas para os juros continua sendo um dos principais fatores que influenciam o ouro desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Custos mais altos de energia intensificam as pressões inflacionárias, levando os bancos centrais, sobretudo o Federal Reserve (Fed), a manter os juros elevados ou a apertar ainda mais a política monetária. Custos de financiamento mais altos tendem a pressionar o metal precioso ao elevar o custo de oportunidade de manter um ativo que não oferece rendimento.
O Fed elevou os juros em 25 pontos-base (pb) em setembro e fez uma pausa em outubro, reafirmando seu compromisso com o restabelecimento da estabilidade de preços. Isso mantém aberta a possibilidade de novas altas dos juros, com a ferramenta CME FedWatch indicando uma probabilidade de 75% de elevação em dezembro.
A incerteza no Oriente Médio, os preços mais altos do petróleo e a perspectiva de uma postura restritiva do Fed continuam sustentando a demanda pelo dólar americano (USD), apesar do leve recuo da moeda em relação às máximas recentes, o que representa mais um obstáculo para o ouro. O Índice do Dólar Americano (DXY), que acompanha a moeda em relação a outras seis divisas importantes, é negociado em torno de 101,81.
Nesse contexto, o ouro tem espaço limitado para se recuperar sem uma queda sustentada dos preços do petróleo. Essa queda parece incerta no curto prazo, dada a falta de clareza sobre as negociações entre EUA e Irã. O metal também está vulnerável a novas liquidações, já que as preocupações com os gastos em inteligência artificial (IA) pressionam as ações de tecnologia e levam alguns investidores a vender ouro para cobrir perdas e atender a chamadas de margem.
Os operadores agora voltam a atenção para uma semana intensa de dados de emprego nos EUA, começando pelas vagas de emprego em aberto da pesquisa JOLTS na terça-feira e terminando com o relatório de emprego não agrícola (NFP) na sexta-feira. As atenções também se concentram nas eleições de meio de mandato nos EUA, na terça-feira, que podem influenciar a direção do dólar americano.
Norman Liebke, do Commerzbank, argumenta que, em um cenário no qual “os republicanos percam a maioria nas duas casas do Congresso”, o dólar poderia “sofrer maior pressão, já que o governo Trump teria menos apoio político de modo geral”. Mesmo que “apenas a Câmara dos Representantes mude de mãos, o dólar provavelmente também enfrentaria alguns obstáculos, embora em menor grau”, enquanto, “se os republicanos mantiverem o controle das duas casas, isso deverá, ao contrário, dar sustentação ao dólar”.
Liebke também ressalta que “o que acontecer imediatamente após as eleições de meio de mandato provavelmente também será relevante para o dólar”. Em particular, ele alerta que, “se Trump de fato voltasse a intensificar o conflito com o Irã e lançasse outro ataque contra o país, isso apontaria, em um primeiro momento, para novas altas dos preços da energia e maior aversão ao risco”. Nesse ambiente de aversão ao risco, “o dólar poderia se beneficiar de seu papel como ativo de refúgio, como ocorreu no início da guerra com o Irã”.

No gráfico diário, o XAU/USD mantém uma perspectiva de baixa, sendo negociado abaixo das médias móveis simples (SMAs) de 21, 100 e 200 dias.
O Índice de Força Relativa (RSI), em 34, oscila pouco acima da região de sobrevenda, enquanto o indicador de Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) permanece abaixo de zero, com leitura negativa. Em conjunto, esses indicadores sugerem que a pressão de baixa ainda predomina, mesmo que o movimento de venda esteja se tornando excessivo.
Na direção de alta, a resistência imediata está na região de US$ 3.950 a US$ 4.000, seguida pela SMA de 21 dias, em US$ 4.092. Acima desse nível, a SMA de 100 dias, em US$ 4.210, e uma barreira horizontal mais elevada, perto de US$ 4.400, formam uma zona de oferta mais ampla, antes de a SMA de 200 dias, em US$ 4.485, entrar em cena como um teto estrutural mais distante.
Na direção de baixa, o ouro continua vulnerável a novas perdas, com suporte imediato na mínima anual de US$ 3.870 registrada na sexta-feira. Uma ruptura abaixo desse nível pode abrir caminho para novas quedas.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O ouro desempenhou um papel fundamental na história da humanidade, sendo amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso na joalheria, o metal precioso é amplamente visto como um ativo de refúgio, ou seja, é considerado um bom investimento em períodos de turbulência. O ouro também é amplamente considerado uma proteção contra a inflação e a desvalorização das moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.
Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Com o objetivo de sustentar suas moedas em períodos de turbulência, eles tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a percepção de solidez da economia e da moeda. Reservas elevadas de ouro podem ser uma fonte de confiança na solvência de um país. Os bancos centrais acrescentaram 1.136 toneladas de ouro às suas reservas em 2022, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, segundo dados do Conselho Mundial do Ouro. Esse é o maior volume anual de compras desde o início da série histórica. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.
O ouro tem uma correlação inversa com o dólar americano e os títulos do Tesouro dos EUA, ambos importantes ativos de reserva e de refúgio. Quando o dólar se desvaloriza, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em períodos de turbulência. O ouro também apresenta correlação inversa com os ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto ondas de venda nos mercados de maior risco tendem a favorecer o metal precioso.
O preço pode variar em função de uma ampla gama de fatores. A instabilidade geopolítica ou os temores de uma recessão profunda podem provocar uma rápida alta do preço do ouro devido à sua condição de ativo de refúgio. Por ser um ativo que não oferece rendimento, o ouro tende a subir com juros mais baixos, enquanto um custo do dinheiro mais elevado costuma pressionar o metal amarelo. Ainda assim, a maioria dos movimentos depende do comportamento do dólar americano (USD), já que o ativo é cotado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a conter o preço do ouro, enquanto um dólar mais fraco tende a impulsioná-lo.