
O par EUR/USD se mantém estável perto de 1,1125 no início da sessão asiática de quarta-feira. Os operadores preferem aguardar e evitar assumir grandes posições antes da decisão sobre os juros do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, na quarta-feira. As atenções se voltarão para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira.

A expectativa predominante é de que o Fed mantenha a taxa de juros de referência inalterada na atual faixa-meta de 3,75% a 4,0% na quarta-feira. Os operadores acompanharão atentamente quaisquer sinais que o presidente do Fed, Kevin Warsh, der sobre as perspectivas da instituição.
Os mercados precificam uma probabilidade de aproximadamente 92,8% de que o banco central dos EUA mantenha os juros inalterados na reunião de política monetária de outubro, segundo a ferramenta CME FedWatch. A chance de uma alta dos juros nos EUA em dezembro é de 84,4%.
“Em caso de manutenção dos juros, o balanço de riscos para o USD aponta para baixo: uma comunicação favorável ao aperto monetário teria um efeito amplamente neutro, enquanto uma manutenção acompanhada de um tom mais brando poderia provocar uma queda desproporcional do USD”, disseram analistas do Bank of America liderados por Mark Cabana.
Do outro lado do Atlântico, o euro (EUR) caminhava para registrar o pior desempenho entre as moedas de mercados desenvolvidos em outubro, com queda de 1,70% frente ao dólar americano (USD). Os altos custos de energia, a volatilidade dos títulos públicos franceses e as preocupações com a situação fiscal da França podem exercer alguma pressão vendedora sobre a moeda única no curto prazo.
O BCE deve manter suas principais taxas de juros inalteradas na próxima reunião, na quinta-feira, após uma alta de 25 pontos-base em setembro.
Estrategistas do Societe Generale destacam que o euro “realmente não conseguiu apresentar uma recuperação significativa, independentemente das posições vendidas”, com “os preços da energia, as preocupações fiscais e a agitação social” pesando sobre a moeda única. Eles acrescentam que, “se a mensagem do FOMC (seja qual for sua forma neste admirável mundo novo) mantiver vivas as expectativas de alta dos juros em dezembro, nosso viés continuará favorável ao dólar e, a menos que o BCE adote um tom muito favorável ao aperto monetário, os fundamentos econômicos europeus pesarão”.
O presidente do Fed, Warsh, transmitiu uma mensagem moderadamente construtiva, mas um pouco menos impactante, com a pontuação do FXS Speechtracker em 5,6/10, abaixo da referência estabelecida de 6,1/10. A admissão de estar “excessivamente marcado pela crise financeira global” evidencia uma postura cautelosa em relação à estabilidade financeira, mesmo enquanto Warsh destaca o crescimento estrutural e a forte expansão dos investimentos, reforçando uma atitude vigilante em vez de uma clara mudança em direção ao aperto ou à flexibilização monetária. A ênfase em não antecipar julgamentos sobre as próximas reuniões e na incerteza quanto ao impacto da IA sobre o emprego no curto prazo aponta para uma postura dependente dos dados e uma relutância em sinalizar uma trajetória predeterminada para a política monetária.
O FXS Fed Sentiment Index ficou inalterado no dia, com variação de 0,00 ponto, permanecendo em 127,51, patamar que indica uma postura firmemente favorável ao aperto monetário. Isso sinaliza que o discurso, em linhas gerais, correspondeu às expectativas existentes, em vez de alterar a narrativa sobre a política monetária. Combinada à pontuação intermediária do FXS Speechtracker, a estabilidade do FXS Fed Sentiment Index sugere que os mercados interpretam os comentários de Warsh como uma validação do atual viés de aperto monetário, sem acrescentar novos estímulos para uma reprecificação do dólar.
No gráfico diário, o EUR/USD permanece sob clara pressão baixista, negociado abaixo da média móvel simples (MMS) de 20 dias das Bandas de Bollinger e bem abaixo da média móvel de 100 dias, que, juntas, formam uma forte barreira de resistência. A cotação também se encontra logo abaixo da banda inferior de Bollinger, reforçando o persistente viés de baixa, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR), em 30,3, oscila perto da região de sobrevenda. Isso sugere que, embora os vendedores estejam no controle, o movimento de queda pode ser interrompido por repiques corretivos ocasionais.
Na parte superior, a resistência imediata está na banda inferior de Bollinger, em torno de 1,1130, com barreiras adicionais na linha central das Bandas de Bollinger, perto de 1,1205, e na banda superior, em 1,1280, antes de um obstáculo mais estratégico na média móvel de 100 dias, em torno de 1,1440. Como o conjunto atual de indicadores não define níveis de suporte relevantes abaixo da cotação à vista, qualquer queda adicional deixaria o par vulnerável a buscar novas mínimas, enquanto apenas uma recuperação acima da MMS de 20 dias começaria a aliviar o tom baixista predominante.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
O euro é a moeda dos 20 países da União Europeia que fazem parte da zona do euro. É a segunda moeda mais negociada do mundo, atrás do dólar americano. Em 2022, representou 31% de todas as transações cambiais, com um volume médio diário de negociação superior a US$ 2,2 trilhões. EUR/USD é o par de moedas mais negociado do mundo, respondendo por cerca de 30% de todas as transações, seguido por EUR/JPY (4%), EUR/GBP (3%) e EUR/AUD (2%).
O Banco Central Europeu (BCE), sediado em Frankfurt, na Alemanha, é o banco central da zona do euro. O BCE define as taxas de juros e conduz a política monetária. O principal mandato do BCE é manter a estabilidade de preços, o que significa controlar a inflação ou estimular o crescimento. Seu principal instrumento é a elevação ou a redução das taxas de juros. Taxas de juros relativamente altas – ou a expectativa de juros mais altos – geralmente beneficiam o euro, e vice-versa. O Conselho do BCE toma decisões de política monetária em reuniões realizadas oito vezes por ano. As decisões são tomadas pelos dirigentes dos bancos centrais nacionais da zona do euro e por seis membros permanentes, incluindo a presidente do BCE, Christine Lagarde.
Os dados de inflação da zona do euro, medidos pelo Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IHPC), são uma importante medida econômica para o euro. Se a inflação subir mais do que o esperado, especialmente se superar a meta de 2% do BCE, isso obriga a instituição a elevar as taxas de juros para voltar a controlá-la. Taxas de juros relativamente altas em comparação com as de outras economias geralmente beneficiam o euro, pois tornam a região mais atraente para investidores globais aplicarem seus recursos.
A divulgação de dados permite avaliar a saúde da economia e pode afetar o euro. Indicadores como o PIB, os índices de gerentes de compras (PMIs) da indústria e dos serviços, os dados de emprego e as pesquisas de confiança do consumidor podem influenciar a direção da moeda única. Uma economia forte é positiva para o euro. Além de atrair mais investimentos estrangeiros, pode incentivar o BCE a elevar as taxas de juros, o que fortalecerá diretamente a moeda. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, o euro provavelmente cairá. Os dados econômicos das quatro maiores economias da zona do euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) são especialmente relevantes, pois esses países representam 75% da economia da região.
Outro dado importante para o euro é a balança comercial. Esse indicador mede a diferença entre o que um país recebe com suas exportações e o que gasta com importações em determinado período. Se um país produz bens de exportação muito procurados, sua moeda se valoriza simplesmente pela demanda adicional gerada por compradores estrangeiros interessados em adquirir esses produtos. Portanto, um saldo comercial positivo fortalece a moeda, enquanto um saldo negativo tem o efeito contrário.