Relatório de emprego da ADP deve apontar desaceleração na criação de vagas em outubro

  • O relatório de variação do emprego da ADP nos EUA deve mostrar a criação líquida de 69 mil vagas em outubro.
  • Salvo uma forte decepção, o relatório da ADP de outubro dificilmente abalará a confiança no dinamismo da economia dos EUA.
  • O impacto sobre o dólar americano deve ser limitado, com o resultado das eleições de meio de mandato no centro das atenções e a divulgação do relatório de emprego não agrícola (NFP) na sexta-feira.

O Instituto de Pesquisa da Automatic Data Processing (ADP) divulgará na quarta-feira o relatório de emprego do setor privado referente a outubro. O consenso do mercado prevê uma desaceleração moderada na criação de vagas, com o relatório de variação do emprego da ADP indicando 69 mil novos postos de trabalho no setor privado em outubro, ante 90 mil em setembro.

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Os dados da ADP são acompanhados de perto pelos mercados financeiros, pois balizam as expectativas para o importantíssimo relatório de emprego não agrícola (NFP), normalmente divulgado alguns dias depois pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS). Na quarta-feira, porém, o relatório da ADP terá de dividir as atenções com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Serviços do ISM dos EUA e, sobretudo, com as especulações do mercado sobre as consequências da vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA.

Relatório de emprego da ADP deve indicar menor crescimento do emprego, mas um mercado de trabalho sólido 

O relatório de emprego da ADP de outubro será divulgado após uma série de indicadores macroeconômicos fortes nos EUA, que reforçaram a confiança dos investidores nas perspectivas para a economia americana. Os dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados na semana passada mostram que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, com o consumo das famílias, os investimentos e os gastos do governo liderando o crescimento.

Além disso, o PMI Industrial do ISM dos EUA, divulgado na segunda-feira, mostrou que a atividade fabril acelerou mais do que o esperado, sugerindo que a economia entrou no quarto trimestre em bases sólidas.

Tudo isso sustenta a tese do excepcionalismo econômico dos EUA que, aliada às fortes pressões inflacionárias, oferece o cenário ideal para o Federal Reserve (Fed) apertar ainda mais sua política monetária. Segundo a ferramenta FedWatch da CME, os mercados futuros precificam uma probabilidade de 75% de uma nova alta de um quarto de ponto percentual nos juros em dezembro, cenário que mantém o Índice do Dólar Americano (DXY) relativamente estável, próximo das máximas do ano. 

Nesse contexto, o relatório de emprego da ADP de outubro teria de mostrar um forte revés para provocar uma grande reação no mercado. O relatório de emprego não agrícola de setembro mostrou um aumento de 29 mil vagas, após a criação de 133 mil postos em agosto, o que sugere que o mercado de trabalho está se estabilizando, sem sinais claros de retração até o momento.

Dito isso, o dólar americano pode permanecer na defensiva na quarta-feira, diante das consequências da vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA. Francesco Pesole, analista do ING, avalia que “uma vitória ampla dos democratas (...) poderia ser vista como ligeiramente negativa para o dólar americano sob diversos aspectos, desde um risco maior de paralisação do governo e de impasse nas negociações sobre o teto da dívida até possíveis danos ao já frágil sentimento em relação à IA”. 

Quando o relatório da ADP será divulgado e como poderá afetar o dólar americano?

O relatório de variação do emprego da ADP nos EUA será divulgado na quarta-feira, às 13h15 GMT, e deve mostrar que o setor privado criou 69 mil novas vagas em outubro. É improvável que os dados finais alterem as expectativas do mercado de uma alta dos juros pelo Fed em dezembro e, portanto, seu impacto sobre o dólar americano (USD) deve ser limitado, com os mercados concentrados no resultado das eleições de meio de mandato antes da divulgação do importantíssimo relatório NFP na sexta-feira.

Algumas horas depois, ainda na quarta-feira, o PMI de Serviços do ISM dos EUA deve mostrar uma leve desaceleração em outubro, mas em níveis compatíveis com expansão e atividade empresarial sólida no setor. Mais uma vez, seriam necessários números muito decepcionantes para abalar a confiança dos mercados na força da economia dos EUA.

DXY Chart Analysis


O panorama técnico do Índice do Dólar Americano (DXY) mostra que o índice oscila próximo ao limite inferior da faixa de negociação observada desde o início de outubro, com o gráfico de 4 horas indicando um viés de neutro a baixista no curto prazo. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está abaixo da região de 50 pontos, sinalizando pouca convicção direcional, enquanto o histograma do indicador de Convergência e Divergência de Médias Móveis (MACD) permanece negativo. Em conjunto, esses sinais destacam uma leve pressão de baixa, e não uma tendência negativa definida.

Segundo Guillermo Alcalá, analista de câmbio da FXStreet, o DXY precisaria romper o suporte na região de 101,50 (mínimas de 22 de outubro e 2 de novembro) para confirmar uma mudança de tendência e abrir caminho para as mínimas do fim de setembro, entre 101,00 e 100,90.

Na alta, Alcalá aponta a máxima de 30 de outubro, pouco acima de 102,00, e as máximas de 28 e 29 de outubro, em torno de 102,50, como resistências importantes antes da máxima de 18 meses, de 102,95, atingida em meados de outubro.

Perguntas frequentes sobre emprego

As condições do mercado de trabalho são um elemento fundamental para avaliar a saúde de uma economia e, portanto, um dos principais fatores que influenciam o valor de uma moeda. Um nível elevado de emprego, ou baixo desemprego, tem implicações positivas para o consumo das famílias e, consequentemente, para o crescimento econômico, valorizando a moeda local. Além disso, um mercado de trabalho muito apertado – situação em que faltam trabalhadores para preencher as vagas disponíveis – também pode ter implicações para os níveis de inflação e, portanto, para a política monetária, pois a baixa oferta de mão de obra e a alta demanda levam a salários mais elevados.

O ritmo de crescimento dos salários em uma economia é fundamental para os responsáveis pela política econômica. Um forte crescimento salarial significa que as famílias têm mais dinheiro para gastar, o que geralmente leva a aumentos nos preços dos bens de consumo. Ao contrário de fontes mais voláteis de inflação, como os preços da energia, o crescimento dos salários é visto como um componente importante da inflação subjacente e persistente, já que é improvável que os aumentos salariais sejam revertidos. Os bancos centrais de todo o mundo acompanham de perto os dados de crescimento salarial ao tomar decisões de política monetária.

O peso que cada banco central atribui às condições do mercado de trabalho depende de seus objetivos. Alguns bancos centrais têm mandatos explícitos relacionados ao mercado de trabalho, além do controle dos níveis de inflação. O Federal Reserve (Fed) dos EUA, por exemplo, tem o duplo mandato de promover o máximo emprego e a estabilidade de preços. Já o Banco Central Europeu (BCE) tem como único mandato manter a inflação sob controle. Ainda assim, independentemente de seus mandatos, as condições do mercado de trabalho são um fator importante para os responsáveis pela política econômica, dada sua relevância como indicador da saúde da economia e sua relação direta com a inflação.

Indicador econômico

Variação do emprego da ADP

A variação do emprego da ADP é um indicador do emprego no setor privado divulgado pela maior empresa de processamento de folhas de pagamento dos EUA, a Automatic Data Processing Inc. Ele mede a variação no número de pessoas empregadas no setor privado nos EUA. De modo geral, uma alta do indicador tem implicações positivas para o consumo das famílias e estimula o crescimento econômico. Assim, um resultado elevado é tradicionalmente visto como favorável à valorização do dólar americano (USD), enquanto um resultado baixo é considerado desfavorável.

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Próxima divulgação: Qua, 04 de nov. de 2026, 13:15

Frequência: Mensal

Consenso: 69 mil

Anterior: 90 mil

Fonte:ADP Research Institute

Os traders costumam considerar os dados de emprego do relatório da ADP, a maior prestadora de serviços de folha de pagamento dos Estados Unidos, como um sinal antecipado dos dados de emprego não agrícola (Nonfarm Payrolls, ou NFP) divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, geralmente dois dias depois, devido à correlação entre as duas séries. As séries apresentam um alto grau de convergência, mas, em determinados meses, a discrepância pode ser substancial. Outro motivo pelo qual os traders do mercado cambial acompanham esse relatório é o mesmo que os leva a acompanhar o NFP: um crescimento persistentemente robusto do emprego aumenta as pressões inflacionárias e, com isso, a probabilidade de o Fed elevar as taxas de juros. Resultados acima do consenso tendem a favorecer a valorização do dólar americano.