Alta rápida demais: hora de uma pausa! Banco central da China eleva para 6% o compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira e freia a rápida valorização do yuan

Na manhã de 3 de novembro, o Banco Popular da China (PBOC) anunciou que, para reforçar a gestão da liquidez em moeda estrangeira nas instituições financeiras, elevaria a alíquota de recolhimento compulsório sobre os depósitos em moeda estrangeira em 2 pontos percentuais, dos atuais 4% para 6%, a partir de 15 de novembro de 2026. Após o anúncio, o USD/CNH saltou cerca de 200 pips, atingindo a máxima de 6,6664, o que representa uma queda de aproximadamente 0,3% do yuan offshore, sua primeira desvalorização em quase três semanas. O yuan onshore também se enfraqueceu frente ao dólar após a abertura, ultrapassando sucessivamente os níveis de 6,65 e 6,66.

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O yuan offshore vinha de um período prolongado de valorização. Em 2 de novembro, a moeda se fortaleceu além do patamar de 6,65, atingindo a máxima intradiária de 6,6425 por dólar, enquanto a cotação à vista encerrou a sessão diurna em 6,6458. Desde o início do ano, o yuan havia se valorizado aproximadamente 4,91% frente ao dólar no mercado à vista, enquanto o yuan offshore acumulava uma alta superior a 4,5%. A moeda chinesa havia registrado quatro meses consecutivos de valorização, atingindo seu nível mais alto desde junho de 2022. A decisão do banco central de recorrer à alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira neste momento busca moderar o ritmo da valorização, e não reverter sua direção.


O que é a alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira?

A alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira determina a parcela dos depósitos em moeda estrangeira captados pelas instituições financeiras que deve ser mantida no banco central. A grande maioria desses depósitos é denominada em dólares americanos.

O mecanismo é simples. Quando a alíquota do compulsório sobe, os bancos precisam depositar mais dólares no banco central, reduzindo a quantidade disponível para empréstimos, investimentos ou venda no mercado doméstico. Uma oferta interna mais restrita de dólares eleva o preço da moeda americana em relação ao yuan, aliviando marginalmente a pressão de valorização sobre a moeda chinesa.

Para dimensionar a medida, o saldo de depósitos em moeda estrangeira totalizava aproximadamente US$ 1,2 trilhão no fim de setembro de 2026. A elevação da alíquota do compulsório de 4% para 6% significa que as instituições financeiras precisarão manter cerca de US$ 24 bilhões em reservas adicionais no banco central a partir de 15 de novembro. O valor é relativamente modesto em comparação com o volume médio diário de negociações cambiais na China, superior a US$ 800 bilhões, e com os US$ 294,2 bilhões em liquidações de câmbio realizadas pelos bancos somente em setembro.

Isso também define a natureza da medida: seu objetivo é desacelerar a valorização do yuan por meio da redução da liquidez doméstica em dólares, e não reverter a trajetória de alta da moeda. O ajuste é “relativamente moderado”. Mais do que a mudança efetiva no volume de recursos disponíveis, o que merece atenção é o sinal de política cambial por trás da decisão.


Por que o banco central está começando a ajustar o ritmo?

Desde outubro, o banco central tem sinalizado repetidamente sua posição sobre a taxa de câmbio. Em 8 de outubro, publicou em seu site oficial o documento “A posição do Banco Popular da China sobre a política cambial do renminbi”. Em 19 de outubro, o presidente da instituição, Pan Gongsheng, apresentou a estrutura da política cambial na Conferência Anual do Fórum da Rua Financeira, ressaltando que, “em determinadas circunstâncias, o PBOC utiliza instrumentos de gestão macroprudencial e, em circunstâncias extremas, pode até intervir diretamente no mercado de câmbio para corrigir o ‘comportamento de manada’ do mercado e o processo de autorreforço de expectativas irracionais”. A elevação da alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira se enquadra nessa estrutura de política cambial. Trata-se do uso de um instrumento de gestão macroprudencial, e não de uma “intervenção direta”.

Outro detalhe que merece atenção é a taxa diária de paridade central. Na segunda-feira, 2 de novembro, o banco central fixou a taxa de referência do USD/CNY em torno de 6,71, o que implica um yuan substancialmente mais fraco do que o nível de aproximadamente 6,66 projetado por um levantamento da Reuters baseado em modelos. Isso significa que a taxa de referência do banco central favorecia o dólar em relação ao yuan, já sinalizando que a instituição não desejava um fortalecimento excessivo da moeda chinesa. A elevação da alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira reforça esse sinal por meio de um instrumento quantitativo de política monetária.

Historicamente, esse instrumento sempre cumpriu a função de promover um “ajuste em ambas as direções”. Durante a valorização persistente do yuan em 2021, o banco central elevou duas vezes a alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira, levando-a a 9%. Quando o yuan se enfraqueceu em 2022 e 2023, a instituição reduziu a alíquota em um total de 5 pontos percentuais, para 4%, aliviando a escassez de dólares e estabilizando a taxa de câmbio. O instrumento foi concebido para suavizar oscilações pró-cíclicas, e não para estabelecer um nível específico de câmbio.

Alguns analistas acreditam que esta rodada de valorização do yuan foi impulsionada por forças de mercado, e não por intervenções de política cambial. A análise de múltiplos conjuntos de dados sugere que a valorização tem pouca correlação com a narrativa de que “investidores estrangeiros estão ampliando suas posições em ativos chineses”. Em vez disso, os superávits persistentes nas operações bancárias de liquidação e venda de divisas, à vista e a termo, desde março de 2025, têm sido um fator mais direto.

Se a principal força por trás da valorização é a oferta e a demanda do mercado, e não a orientação da política cambial, o uso de um instrumento quantitativo para imobilizar US$ 24 bilhões pode influenciar o ritmo, mas não a direção. Ao agir neste momento, o banco central transmite a mensagem de que a valorização pode continuar, mas não deve manter a velocidade atual. Para os operadores de câmbio, o sinal prático é que Pequim prefere uma valorização “mais lenta e estável” do yuan, em vez da continuidade de seu rápido fortalecimento.

Após quatro meses consecutivos de alta e o fortalecimento para além do patamar de 6,65 por dólar, a tolerância das autoridades ao ritmo de valorização está diminuindo. Imobilizar US$ 24 bilhões não é suficiente para reverter uma tendência de valorização impulsionada por superávits nas operações de liquidação e venda de divisas. Ainda assim, a medida muda um aspecto: o mercado agora sabe que a região de 6,65 é um nível que atrai a atenção das autoridades. A trajetória de valorização não foi rejeitada, mas, de hoje em diante, seu ritmo não será mais determinado apenas pelo mercado.