Discurso de Lagarde: incerteza fiscal pode abalar a confiança

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), explica a decisão do BCE de manter as principais taxas de juros inalteradas na reunião de política monetária de outubro e responde a perguntas da imprensa.

Principais destaques

"Os dados mais recentes sugerem que a economia está em expansão no terceiro trimestre."

"O crescimento deve encontrar sustentação no curto prazo."

"Novas altas nos preços da energia e os custos de financiamento prejudicam a confiança e o crescimento."

"Os investimentos em IA e os gastos públicos devem apoiar o crescimento, e as exportações devem ganhar força."

TMGM Analysis: Financial Market News, Economic Calendar & Market Insights

"A sustentabilidade fiscal é a principal âncora."

"As etapas iniciais da cadeia de formação de preços apontam para pressões de alta."

"O indicador de acompanhamento salarial do BCE aponta para 2,5% a 2,8% nos meses restantes de 2026."

"A maioria das medidas das expectativas de inflação de longo prazo está em torno de 2%."

"Os preços da energia subiram além do previsto no cenário-base."

"A energia elevará ainda mais a inflação no médio prazo."

"A inflação geral provavelmente permanecerá bem acima da meta nos próximos trimestres; depois disso, a desaceleração da inflação de energia deverá reduzir a inflação geral."

"Os riscos para o crescimento são de baixa."

"Uma piora do sentimento do mercado pode tornar as condições de financiamento mais restritivas e enfraquecer a demanda."

"A incerteza fiscal pode prejudicar a confiança."

Perguntas frequentes sobre o BCE

O Banco Central Europeu (BCE), sediado em Frankfurt, na Alemanha, é o banco central da zona do euro. O BCE define as taxas de juros e conduz a política monetária da região. O principal mandato do BCE é manter a estabilidade de preços, o que significa manter a inflação em torno de 2%. Sua principal ferramenta para atingir esse objetivo é elevar ou reduzir as taxas de juros. Taxas de juros relativamente altas geralmente resultam em um euro mais forte, e vice-versa. O Conselho do BCE toma decisões de política monetária em reuniões realizadas oito vezes por ano. As decisões são tomadas pelos dirigentes dos bancos centrais nacionais da zona do euro e por seis membros permanentes, incluindo a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Em situações extremas, o Banco Central Europeu pode adotar um instrumento de política monetária chamado flexibilização quantitativa. A QE é o processo pelo qual o BCE emite euros e os utiliza para comprar ativos – geralmente títulos públicos ou corporativos – de bancos e outras instituições financeiras. A QE geralmente resulta em um euro mais fraco. A QE é um recurso de última instância quando a simples redução das taxas de juros provavelmente não será suficiente para atingir o objetivo de estabilidade de preços. O BCE utilizou essa ferramenta durante a grande crise financeira, entre 2009 e 2011, em 2015, quando a inflação persistia em níveis baixos, e também durante a pandemia de covid.

O aperto quantitativo (QT) é o inverso da QE. Ele é adotado após a QE, quando a recuperação econômica está em curso e a inflação começa a subir. Enquanto na QE o Banco Central Europeu (BCE) compra títulos públicos e corporativos de instituições financeiras para fornecer liquidez a elas, no QT o BCE deixa de comprar novos títulos e de reinvestir o principal dos títulos de sua carteira que chegam ao vencimento. Isso geralmente é positivo para o euro, favorecendo sua valorização.