Rupia indiana está sob pressão antes da decisão de política monetária do Fed

  • A rupia indiana opera em baixa frente ao dólar americano antes do anúncio de política monetária do Fed.
  • A expectativa é de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas.
  • A alta dos preços do petróleo tem enfraquecido a rupia indiana.

A rupia indiana (INR) devolve os ganhos da abertura e passa a registrar leve queda frente ao dólar americano (USD) nesta quarta-feira. O par USD/INR avança ligeiramente para perto de 95,16, enquanto a moeda indiana apresenta desempenho inferior diante de diversos fatores adversos, como a recuperação dos preços do petróleo e a cautela antes do anúncio de política monetária do Federal Reserve (Fed).

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Na abertura das negociações, o contrato de petróleo bruto da MCX com vencimento em 19 de novembro sobe 1,82%, para perto de 9.671 rupias, aproximando-se de suas máximas recentes de 9.828 rupias.

Preços mais altos do petróleo são desfavoráveis às moedas de economias como a Índia, que dependem fortemente das importações de petróleo para atender às suas necessidades energéticas.

Petróleo sobe após ataque dos houthis à maior refinaria da Arábia Saudita

Na terça-feira, um porta-voz militar dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmou que o grupo lançou um míssil balístico em direção à refinaria de petróleo de Ras Tanura, no leste da Arábia Saudita, a maior do reino, segundo a Reuters.

O incidente reforçou os temores de um agravamento dos riscos à oferta de energia, impulsionando os preços do petróleo.

A alta dos preços do petróleo também tem dado sustentação aos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (EUA). Esse cenário reduz a atratividade de moedas de maior risco, como a rupia indiana. No momento da redação, os rendimentos dos títulos americanos de 10 anos sobem 0,46%, para perto de 5,02%.

Mercado aguarda decisão de política monetária do Fed

Mais tarde, o anúncio de política monetária do Fed será o principal catalisador para os mercados globais. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a expectativa é de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas na faixa de 3,75% a 4,00%.

Na reunião de política monetária de setembro, o Fed elevou os juros em um quarto de ponto percentual e sinalizou, por meio do gráfico de pontos, pelo menos mais uma alta neste ano.

Após o anúncio de política monetária de setembro, os mercados financeiros estavam confiantes de que o Fed voltaria a elevar os juros em outubro. No entanto, reduziram as apostas em uma postura mais restritiva depois que vários dirigentes sinalizaram não haver urgência para uma nova alta dos juros.

Waller sinaliza mais altas, mas em ritmo mais lento, mantendo os compradores de dólar em alerta

Waller, do Fed, transmitiu uma mensagem claramente favorável ao aperto monetário, com uma pontuação de 8/10 no FXS Speechtracker, superior à média histórica de 7,2/10, ressaltando um viés de novas altas dos juros. A insistência de que “mais altas [são] necessárias”, embora reconheça que elas “não precisam ocorrer em reuniões consecutivas”, sinaliza uma taxa terminal mais elevada, mas uma trajetória mais flexível. Essa combinação sustenta o dólar por meio das expectativas de manutenção de uma política restritiva por mais tempo, em vez de um ritmo agressivo de altas no curto prazo. A ênfase em fatores persistentes de pressão inflacionária, como os investimentos relacionados à IA, os choques contínuos nos preços da energia e um mercado de trabalho ainda “sólido e estável”, reforça o risco de desancoragem das expectativas de inflação após quase cinco anos e meio de inflação acima da meta, mantendo a orientação da política monetária claramente inclinada ao aperto.

O Índice de Sentimento do Fed da FXS subiu 0,42 ponto, para 138,34, confirmando que o discurso acentuou o tom restritivo da política monetária, deixando-o bem acima do nível neutro de 100. Esse patamar elevado do índice, em linha com a pontuação acima da referência no FXS Speechtracker, deve dar sustentação ao dólar à medida que os mercados precificam um período mais prolongado de juros restritivos, mesmo que nem todas as reuniões resultem em altas consecutivas.

Análise técnica do USD/INR

No gráfico diário, o USD/INR é negociado a 95,1355, mantendo um viés de baixa no curto prazo, já que a cotação à vista permanece abaixo da média móvel exponencial (MME) de 20 períodos, em 95,3253. A incapacidade do par de superar novamente essa MME de curto prazo sugere que as recuperações estão sendo aproveitadas para vender, enquanto o Índice de Força Relativa (IFR), em torno de 44, permanece em uma faixa entre neutra e levemente enfraquecida, indicando falta de impulso de alta, e não uma condição clara de sobrevenda.

Na direção de alta, a resistência inicial coincide com a MME de 20 dias, em 95,3253. Um rompimento sustentado acima dessa barreira seria necessário para aliviar a pressão de baixa imediata e abrir caminho para uma recuperação mais significativa. Na ausência de níveis de suporte próximos claramente definidos pelos indicadores disponíveis, o foco permanece no comportamento do preço em relação a essa MME de referência. A continuidade das negociações abaixo dela tende a preservar o viés de baixa no curto prazo.

(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)

Perguntas frequentes sobre a rupia indiana

A rupia indiana (INR) é uma das moedas mais sensíveis a fatores externos. O preço do petróleo bruto (o país é altamente dependente do petróleo importado), o valor do dólar americano – a maior parte do comércio é realizada em USD – e o nível de investimento estrangeiro são fatores que exercem influência. A intervenção direta do Banco da Reserva da Índia (RBI) nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável, assim como o nível das taxas de juros definido pelo RBI, também são fatores importantes para a rupia.

O Banco da Reserva da Índia (RBI) intervém ativamente nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável e, assim, facilitar o comércio. Além disso, o RBI busca manter a inflação em sua meta de 4%, ajustando as taxas de juros. Juros mais altos geralmente fortalecem a rupia. Isso se deve ao papel do “carry trade”, estratégia em que os investidores tomam empréstimos em países com juros mais baixos para aplicar os recursos em países que oferecem juros relativamente mais altos e lucrar com a diferença.

Os fatores macroeconômicos que influenciam o valor da rupia incluem a inflação, as taxas de juros, o ritmo de crescimento econômico (PIB), a balança comercial e a entrada de investimentos estrangeiros. Uma taxa de crescimento mais elevada pode atrair mais investimentos do exterior, aumentando a demanda pela rupia. Uma balança comercial menos deficitária tende, com o tempo, a fortalecer a rupia. Juros mais altos, especialmente os juros reais (taxas de juros descontadas da inflação), também são positivos para a moeda. Um ambiente de maior apetite por risco pode favorecer a entrada de investimento estrangeiro direto e indireto (FDI e FII, nas siglas em inglês), o que também beneficia a rupia.

Uma inflação mais alta, sobretudo quando supera a de economias comparáveis à Índia, costuma ser negativa para a moeda, pois reflete uma desvalorização decorrente do excesso de oferta monetária. A inflação também aumenta o custo das exportações, levando à venda de mais rupias para pagar pelas importações, o que prejudica a moeda. Ao mesmo tempo, uma inflação mais alta geralmente leva o Banco da Reserva da Índia (RBI) a elevar os juros, o que pode ser positivo para a rupia devido ao aumento da demanda por parte dos investidores internacionais. Uma inflação mais baixa produz o efeito oposto.